sexta-feira, junho 22, 2018
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Empreendedores de favelas pacificadas estão prontos para receber turistas.

 

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Rodrigo Costa, projetista mecânico paulista, se hospedou no Vidigal para conhecer de perto a realidade do lugar: ‘O calor humano é excelente, me apaixonei pela comunidade, tudo aqui é muito autêntico’
Foto: José Pedro Monteiro / Agência O Dia

Rio – O lançamento da marca ‘Santa Marta We Care’ — linha de produtos desenvolvida por um grupo de artesãs da comunidade em Botafogo para ser comercializada nos principais pontos turísticos da região — confirma que os microempreendedores das favelas do Rio já estão de olho nos estrangeiros que virão para a cidade por conta dos jogos da Copa do Mundo. Boa parte da primeira coleção da grife, com cerca de 600 peças, trará motivos que fortalecem a marca da primeira comunidade pacificada no Rio e elementos nacionais que remetem à competição mundial.

Tanto os trabalhos das artesãs do Santa Marta, quanto os de um grupo de microempreendedores de nove outras comunidades pacificadas fazem parte da capacitação de gestão empresarial promovida pelo Sebrae/RJ. O objetivo é prestar um melhor serviço e apresentar produtos mais qualificados aos turistas que visitam a cidade.

Desde meados de 2013, a entidade de apoio às pequenas e micro empresas iniciou estudo de identificação das potencialidades empreendedoras das comunidades em setores como turismo, gastronomia e artesanato.

De lá para cá, além do Santa Marta, foram capacitados microempresários das comunidades do Morro da Formiga, Salgueiro, Turano e Borel, na Tijuca; Macacos, em Vila Isabel; e Complexo do Alemão, todos na Zona Norte. No Centro, o Morro da Providência. Já na Zona Sul, foram beneficiados o Morro do Tabajaras e dos Cabritos, em Copacabana; e do Vidigal, em São Conrado. (Veja abaixo os setores de cada grupo).

“O Rio de Janeiro está assistindo uma agitação muito grande em torno da Copa do Mundo e nada mais natural que também as comunidades se beneficiem desse movimento. O trabalho de souvenir é o mais recente. Começou no Morro dos Macacos e agora se fortaleceu no Santa Marta. A ideia é identificar outros grupos potenciais em outras favelas”, diz a coordenadora de Desenvolvimento do Empreendedorismo em Comunidades Pacificadas do Sebrae/RJ, Carla Teixeira.

As capacitações promovidas pela entidade incluem não apenas as informações sobre gestão e organização empresarial, como também identificação, planejamento e acesso ao mercado.

“De acordo com a área, fizemos primeiro um diagnóstico turístico para saber quais eram os atrativos e assim formatar um roteiro com todas as suas potencialidades. Não adianta apenas ser um local bonito ou ter uma vista linda. É preciso transformar num produto estruturado”, explica Carla.

O projetista mecânico paulistano Rodrigo Costa, 32 anos, é um dos turistas que quis conhecer de perto a realidade de uma comunidade. Ele se hospedou em uma pousada no Vidigal, na Zona Sul, que já possui uma série de serviços para quem quer conhecer o dia-a-dia das comunidades: “O calor humano é excelente, eu me apaixonei pela localidade. Quem vem para uma favela, quer ver a realidade, sentir como as coisas são de verdade”, disse, acrescentando que não se importou com a falta de asfalto ou o trânsito lento para chegar no alto do morro.

Para ele, a hospedagem “faz com que o turista saia de um ambiente onde as pessoas só se preocupam com o status social”. “Aqui no Vidigal é tudo autêntico”, garante.

Futebol inspira primeira coleção na Santa Marta

A iniciativa de profissionalizar a relação comercial das artesãs do Santa Marta foi a partir do diagnóstico do Sebrae/RJ. A entidade observou a necessidade do aperfeiçoamento de produtos típicos para serem oferecidos aos turistas que visitam a comunidade. O ‘Santa Marta We Care’ é patrocinado pela agência de publicidade NBS, que criou no local o projeto NBS Rio+Rio.

“Eles bancaram todo o nosso material. Sem eles não teria como preparar os produtos especiais para a Copa”, diz a artesã Marisete Gomes, 48 anos.

A primeira coleção apresenta souvenirs como canga, dois modelos de bolsa, porta-água, camiseta e echarpe. As peças serão vendidas de R$ 10 a R$ 60 pela página do Facebook ou nas próprias casas das artesãs, já que não há na comunidade um ponto de comercialização fixo para apresentar o artesanato local.

Diretora de negócios da NBS Rio+Rio, Aline Pimenta diz que o projeto visa reverter o fluxo de turistas na favela em benefícios e renda para os moradores locais. “A ideia é atrair mais empresas e junto com o Sebrae expandir para outras comunidades”, diz Aline.

Agência de Fomento e ONGs apoiam empreendimentos em favelas

Presidente da AgeRio, Domingos Vargas destaca que a agência de fomento do Estado do Rio possui uma linha de financiamento para empreendedores das comunidades do Rio — o Microcrédito Produtivo Orientado. Segundo o dirigente, um exemplo do uso do recurso é que a agência não financia geladeira. Mas, se o eletrodoméstico servir para armazenar mantimentos que serão usados em uma feijoada promovida pelo empreendedor como negócio na comunidade, o financiamento é liberado.

Microempresários das comunidades pacificadas do Rio podem solicitar o crédito do Fundo UPP Empreendedor, que varia de R$ 300 a R$ 15 mil, com juros de 0,25% ao mês (3% ao ano), prazo de pagamento de até 24 meses com até três meses de carência. Ao todo, já foram assinados 2.026 contratos de financiamento, somando aproximadamente R$ 10,3 milhões em operações.

Para Domingos Vargas, é visível a qualificação do empreendedor das comunidades. “Ele investe em novas unidade, criando uma competição saudável. Ele propõe num ambiente mais qualificado como mesas de madeira e com toalhas, melhores talheres, ar condicionado. E isso vale para bares e restaurantes”, aponta o presidente da AgeRio.

Professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcus Vinicius Quintella alerta que o empreendedor local deve gerir com planejamento e conhecimento do mercado em que pretende atuar. “É muito trabalho e estudo, principalmente de mercado. Assim, ele corre menos riscos de algo dar errado em sua atividade”, diz Quintella.

No setor de Turismo, o Sebrae/RJ está capacitando as comunidades da Formiga, Salgueiro, Turano, Tabajaras e Cabritos, e Complexo do Alemão; já o Artesanato está presente no Borel, Morro dos Macacos e comunidade Santa Marta; a gastronomia foi levada para o Complexo do Alemão, Vidigal, Tabajaras e Providência com a ONG Gastromotiva e o grupo Movimento Sabores do Porto.

Matéria na Página: http://odia.ig.com.br/noticia/economia/2014-02-01/empreendedores-de-favelas-pacificadas-estao-prontos-para-receber-turistas.html

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