quarta-feira, novembro 22, 2017
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A COSTURA QUE UNE HISTÓRIAS!

Muitas histórias de garra, consciência e solidariedade são alinhadas por uma profissão que nos veste. Manguinhos é, notadamente, um lugar de muitas lutas e desafios. Com o histórico de abandono e superações, as comunidades passam por várias transformações sociais e econômicas. Nesse contexto estão as mulheres com mais de 35 anos de idade, que já constituíram família. Elas, quando não são a única fonte de renda do lar, são importantes na composição da renda familiar. No mês comemorativo do Dia Internacional da Mulher, encontramos algumas batalhadoras de Manguinhos, que são o reflexo das brasileiras. E, com força e atitude, vão costurando um futuro de muita independência. Presentes nas comunidades da Varginha, Amorim e Vila Turismo, as costureiras estão fazendo a diferença, com trabalho e visão empreendedora.


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COSTUREIRAS DA VARGINHA.

Na sede da antiga COOTRAM, essas mulheres se reúnem desde 2006, realizando trabalhos de costura em geral. Elas desenvolvem suas ações de modo independente, onde cada uma utiliza o espaço para prestar serviços aos seus clientes. Atualmente, a costureira Vera Lúcia trabalha para as empresas Mitsubishi, Honda, Mega Barros, entre outras. Segundo Vera, a maioria de suas amigas de trabalho tem aquele espaço como a única fonte de renda: “Gostaria que pudéssemos ter uma organização diferente, para podermos obter mais trabalho, com mais mão-de-obra, para dar conta de tanta demanda. Assim, evitaria ter que trabalhar horas e horas a fio para honrar os compromissos” Hoje, são 08 mulheres trabalhando na costura permanentemente, fora as que são “contratadas” de vez em quando para executarem trabalhos específicos. Rosângela Flor está reunida ao grupo há 5 anos, e acredita que esse trabalho é muito importante para a renda e a auto estima: “Porque trabalhando as mulheres se sentem mais valorizadas”. Quanto ao Dia Internacional da Mulher, algumas acham que é mais um dia de luto e reflexão, pela história de origem desse dia. Outras acreditam que se deve comemorar as conquistas sociais femininas. Mas todas são unânimes ao afirmarem que a mulher tem que ser respeitada todos os dias.

AMORIMOFICINA DE COSTURA AMORIM.

Localizada no Amorim, a oficina se iniciou a partir de um ato de solidariedade. O professor Jorge Ail Bijar, da UFRJ, soube por uma moradora que, uma criança da comunidade Mandela – nascida sem os dois rins – necessitava de auxílio. Houve uma corrente de solidariedade, por meio da Igreja Católica e moradores em geral, para ajudar financeiramente a mãe dessa criança, pois ela não podia trabalhar formalmente, já que cuida da filha. Nesse momento, há cerca de dois anos, Jorge tinha recursos para investir na comunidade, em algum projeto social. E, por outro lado, existia a necessidade de gerar renda, de maneira sustentável, para essa mãe. Surgiu, nesse momento, a ideia da Oficina de Costura. Hoje, a Oficina é legalizada, tem sede na Av. Rio Branco, e oferece aulas de costura, com o objetivo de capacitar mão-de-obra para desenvolver o projeto. Atualmente, gera renda por meio das doações que recebe para o Bazar e, também, por meio da revenda de roupas novas. Além disso, está pleiteando financiamento, junto à Secretaria de Esporte, LAMSA e ao BNDES, para desenvolverem atividades na comunidade. A gerente da Oficina Amorim, Mariana Lima Reis, explica que há muitos planos, sem perder a função social, pois os integrantes do grupo tem esse histórico de atividade comunitária.

MANGUINHOS1 Vila TurismoMORIÁ.

Essa equipe é liderada pela costureira e administradora da oficina de costura, Maria de Lurdes Flor. Há cinco anos Maria de Lurdes resolveu parar de costurar dentro de casa. Junto com seu esposo, criou a oficina Moriá, que está totalmente legalizada e atua na Rua Nova Cap, na Vila Turismo. Com cinco costureiras, prestam serviços para vários clientes de dentro e de fora de Manguinhos. Todas as trabalhadoras recebem um salário mínimo e têm o INSS recolhido como autônomas. “É uma forma de gerar renda e tornar as mulheres administradoras das suas próprias vidas. Gostaria que elas recebessem mais, porém acredito ser um ganho trabalhar perto de casa, sem os riscos e estresses do dia a dia circulando pelo Rio de Janeiro”, diz Maria de Lurdes. Esses são exemplos de mulheres que vem fazendo a diferença em Manguinhos, com muita raça e vontade de vencer. Cada uma está seguindo seus objetivos, lutando pelo bem das suas famílias, costurando o presente e modelando um futuro de vitórias.

FOTOS.

D.VERA VARGINHA
Dona Vera Costureira da Varginha.
VERGINHA
Na foto as costureiras da Varginha.
Edilano Cavalcante Varginha
Na foto as Costureiras da Varginha.
MARIA DE LURDES FLOR
Maria de Lurdes Flor, administradora da oficina Moriá.
MANGUINHOS Vila Turismo
Oficina de costura Moriá e suas costureiras.

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