quarta-feira, dezembro 13, 2017
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MAPEAMENTO PARTICIPATIVO DE MANGUINHOS

O movimento que originou o Mapeamento Participativo de Manguinhos foi realizado pela associação de diversos esforços e de acordo com as características das favelas locais. Essa associação de interesses resultou num processo participativo e proveitoso.

Inicialmente, identificou-se a necessidade de dar visibilidade ao que existe em Manguinhos, desde instituições e programas governamentais e privados até projetos e ações dos próprios moradores, construindo, assim, um guia comunitário. Estimulados por esta discussão, os membros do Conselho Comunitário de Manguinhos¹ propuseram a construção de um mapeamento cultural, que fosse capaz de identificar artistas e coletivos de cultura presentes em Manguinhos.

Virgílio dos Santos, coordenador do Coletivo de Integração Artística de Benfica (CIAB), que participou deste movimento, acredita que este trabalho é de grande importância para o território. “O foco principal era encontrar os agentes culturais que atuam na favela, sendo eles um projeto/inciativa ou um ator, um músico ou artista plástico que desenvolva por recreação ou profissionalmente sua atividade na favela. Isso possibilita a todos nós ter uma visão mais detalhada da cultura regional, entendendo coisas do tipo: como os grupos artísticos/culturais se relacionam, como as tradições são criadas e mantidas, os modismos e afins. Um dos muitos frutos desse movimento de ‘colocar no mapa’ esses achados foi a Mostra Cultural de Manguinhos, que aconteceu em junho de 2013, e que permitiu a atualização das fronteiras culturais da favela, revelando que havia muito mais gente produzindo arte e cultura do que se imaginava”.

A partir disso, essa ideia, que inicialmente era voltada para cultura, ganhou força e ampliou seu olhar para as demais iniciativas (instituições religiosas, escolas, creches, equipamentos de assistência social etc.). Nasce, então, a proposta do Mapeamento Participativo de Manguinhos. A princípio, essa ação identificou os atores sociais locais e os serviços que existem no território. O principal objetivo era conseguir contribuir para o desenvolvimento de Manguinhos, através da produção de um diagnóstico comunitário, da articulação e do fortalecimento de redes locais, além da construção de um guia de serviços.

Em Manguinhos, a última iniciativa, com esse objetivo, foi realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, patrocinando a construção de um Guia de Equipamentos e Iniciativas Sociais², em 2009. Assim, considerando-se as mudanças introduzidas a partir do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as alterações na dinâmica social local, definiu-se pela atualização do Mapeamento e buscou-se os parceiros para esse processo.

Manifestaram interesse nesse propósito o Instituto Pereira Passos, veiculado à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e responsável pelo programa UPP Social; a Fundação Oswaldo Cruz, a partir de sua Coordenadoria de Cooperação Social; a Secretaria Municipal de Habitação, através da empresa INOVARA, contratada para desenvolver o Trabalho Social em algumas favelas do Complexo de Manguinhos; o Programa Caminho Melhor Jovem; a Biblioteca Parque, veiculada à Secretaria Estadual de Cultura; o Conselho Comunitário de Manguinhos; o Conselho de Saúde (CGI)³ e moradores.

Constituído o grupo de interessados, tratou-se de definir o modelo de formulário apropriado ao Mapeamento. Para tanto, o Conselho Comunitário de Manguinhos apresentou uma proposta que, depois de avaliada coletivamente – como aconteceu com todo o processo, em encontros presenciais realizados na Biblioteca Parque –, tornou-se o instrumento para o Mapeamento.

Com a definição do formulário que seria utilizado no mapeamento, o grupo tratou de definir a equipe de campo. O acordado foi que todos os parceiros – institucionais ou não – contribuíssem com a aplicação dos questionários. Assim, alguns durante o horário de trabalho, e outros nas horas que não estavam trabalhando, contribuíram, sem remuneração extraordinária, com a realização do Mapeamento.

Finalizada a pesquisa de campo, os dados coletados foram digitalizados, visando a consolidação e publicização das respostas. Foi iniciada uma articulação com o Instituto Pereira Passos, através da UPP Social, e a Cooperação Social (Presidência/Fiocruz), para a constituição de um banco de dados permanente e acessível. Chegado o momento de lançamento do Mapa, torna-se importante destacar o que este mapeamento representa para nós, do Conselho Comunitário de Manguinhos. Entendemos que essa ferramenta tem um caráter inovador na medida em que o registro de informações no Mapa não depende de uma validação de órgãos oficiais, isto coloca o cidadão como protagonista no processo de construção da informação; cria-se, com isto, um pressuposto de legitimidade e veracidade da informação gerada pelo morador de Manguinhos. Outro aspecto que merece destaque é a potencialidade que o Mapa tem de resignificar o território de Manguinhos, que é constantemente associado, pela grande mídia, com a criminalidade e a violência urbana. Além disso, acreditamos que será possível, a partir do mapeamento, a construção de um diagnóstico comunitário – a partir do registro dos pontos de alagamento, de falta de água e luz, etc. – de modo a contribuir na gestão compartilhada de políticas públicas no território.

Pelo exposto, convidamos todos os moradores de Manguinhos a continuar na construção desta fermenta que estará sempre inacabada. Apesar de todo esforço feito para mapear o que existe em Manguinhos, não pode se perder de vista que este território, assim como toda a cidade do Rio de Janeiro, possui atividades que estão em constante transformação, o que reforça a exigência da participação e do envolvimento de cada cidadão na sua elaboração.

[1] Segundo o Art. 1º  do seu Regimento Interno, o Conselho Comunitário de Manguinhos “é um colegiado que tem como objetivo contribuir para o Desenvolvimento Sustentável das comunidades que compõem o território ampliado de Manguinhos – Conjunto Habitacional Nelson Mandela, Comunidade Mandela de Pedra, Parque Carlos Chagas (Varginha), Conjunto Habitacional Samora Machel, Comunidade CCPL, Conjunto Habitacional dos Ex-Combatentes, Tiradentes e Vila União, Comunidade Vila Turismo, Centro Habitacional Provisório II, Parque João Goulart, Comunidade Agrícola, Parque Oswaldo Cruz (Amorim), Comunidade Vila São Pedro, Condomínio EMBRATEL, Condomínio DESUP e Comunidade Vitória de Manguinhos (CONAB) – de forma integrada à cidade”. No seu Art. 2º, o Conselho é definido como “um organismo autônomo, propositivo e promotor de ações e diálogos entre moradores, instituições privadas, governamentais e sócio-comunitárias”.
[2] É fruto da iniciativa e da parceria entre pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ) e de lideranças e moradores de Manguinhos, no âmbito do projeto “Ações Intersetoriais para a Saúde” (AIPS), que sistematizou as instituições e programas da administração pública, municipal e estadual, e informações referentes a organizações e iniciativas comunitárias dentro dos limites das comunidades de Manguinhos e do território de responsabilidade do Centro de Saúde da ENSP (CESGSF).
[3] Segundo o Art. 1º do seu Regimento Interno, o “Conselho Gestor Intersetorial do Teias-Escola Manguinhos é órgão de instância colegiada e deliberativa e de natureza permanente, criado pelo Colegiado do Teias-Escola Manguinhos e a ele institucionalmente vinculado”. Já o Art. 2º diz que “o Conselho Gestor Intersetorial do Teias-Escola Manguinhos tem por finalidade atuar na formulação, monitoramento e controle da execução da política de saúde no âmbito do território do Teias-Escola Manguinhos, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, nas estratégias e na promoção da participação social em toda a sua amplitude”.

 

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