domingo, novembro 19, 2017
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Como votou o Complexo de Manguinhos?

No mês de outubro a sociedade brasileira pôde escolher, através do voto, seus representantes no Poder Executivo e Legislativo Federal. Ainda que obrigatório, o voto é preciso ser encarado como um direito.   No âmbito estadual, o Rio de Janeiro escolheu o seu Governador em eleições de segundo turno, com vitória do candidato a reeleição Luiz Fernando Pezão. Sob a bandeira de uma coligação de diversos partidos, a campanha do Governador reeleito foi marcada pela propaganda eleitoral destacando o jeito ‘simples e interiorano’ de conduzir seus projetos, com uma omissão estratégica do ex-governador Sérgio Cabral. As manifestações de junho de 2013 repetiram reiteradamente ‘fora Cabral’, o que foi assimilado na estratégia da coligação liderada pelo PMDB. No segundo turno, apesar do apoio do candidato Garotinho (PR) e Lindberg (PT), o candidato Marcelo Crivella foi derrotado nas urnas, fruto, talvez, de uma rejeição formulada e provocada pelos marqueteiros da campanha de Pezão, destacando sua proximidade com o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo.

No âmbito federal, a morte do então candidato à presidente Eduardo Campos (PSB), possibilitou a emergência do ‘fenômeno’ Marina Silva, que em determinados momentos da campanha, segundo diversos institutos de pesquisa, apresentava-se como favorita ao cargo. Com uma campanha considerada ‘agressiva’ pelos analistas, a candidata à reeleição Dilma Roussef, desconstruiu as propostas de Marina, colocando-a atrás do candidato tucano ao final da contagem dos votos do primeiro turno.

A campanha do segundo turno, especialmente em nível federal, foi marcada por um sentimento de mudança, que em parte refletiu na expressiva votação do segundo candidato. Outro aspecto destacado é a campanha explícita da impressa, especialmente da revista Veja, contra a candidata do PT. O elevado nível de abstenção – o maior desde 2002 – somados à pequena diferença eleitoral entre a presidenta reeleita e o candidato derrotado sugerem um governo que terá dificuldades na criação de consensos.

No caso da votação local, Manguinhos tem a maior parte de sua população votando nas zonas eleitorais 169 e 193. O jornal Fala Manguinhos fez um levantamento e constatou que a média percentual de votos da Presidente reeleita no primeiro turno esteve na casa dos 40% em ambas as zonas. No segundo turno, aproximadamente 72% dos eleitores da zona 193 votaram em Dilma, e na zona 169, 63%, refletindo a vitória eleitoral de Dilma no Estado do Rio de Janeiro.

O destaque do resultado eleitoral do 1º turno para Governador fica para o candidato do PSOL, com uma votação maior que a de Antony Garotinho (PR) e Lindbergh Farias (PT), destoando da votação estadual. Na zona eleitoral 193, que contempla parte significativa dos moradores do Conjunto Nelson Mandela, Samora Machel e Embratel, a diferença entre Crivella e Pezão não chegou a 1% tanto no primeiro quanto no segundo turno. Já na zona eleitoral 169, que contempla o DESUP, CHPII e Parque João Goulart, por exemplo, a votação do Pezão, no primeiro e segundo turnos, foi em média 12% maior que a de Crivella.

Na votação para os cargos proporcionais, os eleitores seguiram a tendência estadual quanto à vaga ao Senado, elegendo Romário com mais de 50% dos votos válidos! Para o cargo de Deputado Estadual, destaque para o mais bem votado da zona eleitoral 193, o candidato Chiquinho da Mangueira, que ficou na suplência, e para a expectativa frustrada dos eleitores de Patrícia Evangelista, candidata moradora de Manguinhos que por problemas junto ao TRE não teve sua legenda incluída para a votação nas urnas eletrônicas.

O interessante é a presença maciça de candidatos proporcionais, muitos que sequer sabiam onde ficava Manguinhos, numa poluição visual e de pouco debate. Presenciou-se um verdadeiro exército de cabos eleitorais preparados para colocar placas e adesivos nas casas. Com quase 20 mil eleitores, a população de Manguinhos, maior que muitas cidades brasileiras, poderia eleger ou impactar decisivamente na eleição de candidaturas com pautas voltadas para as camadas populares, o que na prática não acontece. A saída, talvez, esteja nos mecanismos de democracia direta, como os conselhos populares de políticas públicas.

Por André Lima

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