quarta-feira, novembro 22, 2017
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Contos de Papel e Sangue – Tarcísio Lima

AMOR X GUERRA 

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Patrícia morava na favela do Mandela dois com a mãe. Tinha nove anos de idade quando sua mãe começou a namorar com o Rogério, gerente de uma loja de departamentos e morador do Méier. Tempos depois a mãe levou o namorado pra morar com as duas. Patrícia então com dez anos de idade era uma criança feliz, mas a morte não avisa quando vem e numa noite após voltar do trabalho a mãe foi morta por bala perdida num tiroteio entre traficantes e policiais. Patrícia que antes vivia sorrindo, agora deixava-se dominar pelo silêncio. Sentia muita falta da mãe, nunca conheceu o pai, a mãe sempre fugia do assunto. Aos onze anos seu corpo começava a se formar e numa tarde enquanto tomava banho, teve a sensação de estar sendo espiada. Se enrolou na toalha e saiu do box, se assustou quando passou pelo quarto que era da mãe e viu o padrasto deitado. 

– O que o senhor está fazendo aqui tão cedo?

– Não estava me sentindo bem e vim pra casa.

– Por que não foi no UPA?

– Não é nada sério, pode me trazer um remédio pra dor de cabeça?

– Tá bom.

Quando Patrícia voltou com o remédio, ainda enrolada na toalha o padrasto estava só de cueca samba-canção, ela se aproximou pra colocar o remédio na cabeceira da cama e ele a despiu.

– O que o senhor tá fazendo?! – disse ela cobrindo o corpo com as mãos. 

– Uma coisa que quero há muito tempo e se você contar pra alguém vai morar no mesmo lugar que sua mãe – Ameaçou. 

– Mas eu não quero me solta!! – gritou ela.

– Não grita porra!

Ele a jogou na cama e começou a penetrar nela. O hímen estourou sujando a cama de sangue e após ejacular, Rogério se levantou e foi tomar banho. Patrícia ficou deitada em estado de choque. A cena se repetiu até os treze anos, quando Patrícia começou a namorar com o Paulo, que trabalhava na boca de vapor. Ela contou a ele que o padrasto abusava sexualmente dela e no dia seguinte após ouvir tiros, ficou sabendo que o padrasto fora morto e jogaram o corpo no valão. Paulo a chamou pra morar com ele, ela disse que só aceitaria se ele saísse da boca, e ele que era apaixonado por ela disse que iria mudar. Paulo trocou uma ideia com o gerente que o considerava e arrumou um emprego de office-boy, trabalhou com afinco e logo foi promovido. Ao chegar em casa com a notícia, Patrícia disse que estava grávida. Ele estremeceu de felicidade e a abraçou fortemente. Nove meses depois nasceu uma linda menina chamada helena, em homenagem a mãe.

“E até aqui favela, o amor venceu a guerra.”

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