domingo, novembro 19, 2017
Home > Cultura > CONTOS DE PAPEL E SANGUE – Profecia de Tarcisío Lima

CONTOS DE PAPEL E SANGUE – Profecia de Tarcisío Lima

Para comemorar meu Aniversário, ferei um resumo de minha vida, que por vez se confunde com a de muitos jovens de Manguinhos. 

22 primaveras de sobrevivência, mas não foi fácil chegar até aqui…

Quando cheguei ao Rio de Janeiro, era só um pivete magrelo, como todo moleque da minha idade sonhava com os gramados e que um dia seria remunerado por calçar chuteiras e representar meu time.

Se a vida fosse um mar de rosas, eu saberia bem o que é pisar os espinhos com os pés descalços. Meus heróis não eram personagens, um deles destruiu a vida da minha genitora. Na minha inocência ouvia minha mãe falar do Superman, e assim a carreira de cocaína acabou com a carreira que ela poderia ter pela frente. Só que o vício não destrói só a pessoa, porque nossas escolhas também refletem em quem nos ama. Aos 9 de idade enfrentei o abandono do meu pai, só Deus sabe o vazio que é passar um dia das mães e dos pais. Quantas vezes pensei em desistir da vida, larguei a escola pra trabalhar por um mísero salário mínimo. Em 2012, eu queria voltar a estudar e com saudade da minha terra fui morar um tempo no Maranhão. Estudava, trabalhava e fazia cursos. Sou eternamente grato por ter a Dona Helena em minha vida, minha bisavó analfabeta que sempre lutou pra que eu tivesse estudo. Em 2014, mais maduro, voltei a morar no Rio de Janeiro, especificamente na favela de Manguinhos. Tive que aprender na prática que na selva, a lei de sobrevivência é outra. Percebi que aqui não existe o caminho certo, porque os moleques se espelha em quem tá mais perto. Drogas, arma e miséria é o que o país nos dá, cada um se vira da sua forma.

 Meu primo ouvia rap e no início eu achava as letras muito pesadas, só que parei pra ouvir um grupo chamado A286 e vi que as letra falava de tudo aquilo que eu presenciava e esses versos mudaram minha vida.

Quando minha filha nasceu me trouxe uma imensa alegria, não sou um pai exemplar, mas tento ser o pai que eu não tive. Quando me vi desacreditado conheci a Flupp, e me trouxe de volta à ativa. A oportunidade de estar no Jornal Fala Manguinhos me deu a chance de livrar os moleques assim como o manuscrito de alguém me livrou. Sem querer ser o melhor, só com a missão que objetiva ver favelado portando mais diploma que B.O.

OBRIGADO FAVELA, POR FAZER DE MIM O POETA.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *