segunda-feira, novembro 20, 2017
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ABRIGO CRISTO REDENTOR: DIGNIDADE NÃO SE NEGOCIA!

 

O Abrigo Cristo Redentor, instituição pública destinada ao acolhimento de idosos, vive uma nova crise. O motivo é a redução da verba, repassada pelo Governo Federal, para a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e  desenvolvimento Social. Os serviços essenciais (alimentação, limpeza, rouparia)deixaram de ser prestados para as 280 pessoas assistidas, por falta de pagamentos. E 160 funcionários foram demitidos. No meio desse caos administrativo aconteceram, só em uma semana, 5 (cinco) óbitos. Em 2008 houve a primeira ameaça ao Abrigo, quando a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social decretou o seu fechamento. Na época, a instituição era administrada pela Prefeitura, que lançou um projeto para que os idosos fossem ‘adotados’ por famílias – Projeto Família Acolhedora -, que receberiam uma ajuda de custo de R$ 500,00 por idoso. Só que 90 dos idosos eram acamados e precisavam da assistência que o Abrigo disponibiliza: enfermeiros, médicos, remédios etc. E o mais importante: ali é o lar deles. Assombro e sofrimento invadiram a vida e o coração dos homens e mulheres que viviam em condições vulneráveis. Naquela ocasião, diante da situação de calamidade, várias pessoas e organizações se mobilizaram. Dentre elas, a igreja Santa Bernadete, localizada na Av. dos Democráticos. É o padre Geraldo José Natalino, presente na comunidade desde 2003, quem nos conta: “Assim que cheguei tomei a iniciativa de criar um grupo que pudesse, semanalmente, ministrar assistência religiosa aos abrigados, juntamente com os serviços de missa e celebração. Esse grupo chama-se ‘Família Missionária de Santa Bernadete’. Contudo, entendemos espiritualidade não como campo isolado da vida, mas de forma integral. Temos, por essa razão, preocupação com a dignidade e a qualidade de vida da população idosa, na condição de abrigados”. 

Hoje, por causa do abandono dos idosos pelos governos municipal, estadual, federal, e depois de várias reuniões, fóruns e passeatas, foi criado o Conselho Comunitário. Esse Conselho reúne, semanalmente, diversas pessoas e organizações engajadas na defesa do Abrigo: igreja, sindicatos e associações de trabalhadores, fóruns municipal e estadual dos idosos, FIOCRUZ, representantes dos movimentos sociais etc. Andrei de Carlos, integrante do Conselho Comunitário em Defesa do Abrigo Cristo Redentor, conta como a instituição vem se mantendo: “Há o verdadeiro sucateamento do nosso Abrigo. Faltam fraldas, insumos, suprimentos alimentares. A gente acaba tendo que fazer campanhas para arrecadar tudo isso por meio de doações”. Uma das atividades do Conselho foi participar da audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado (ALERJ), em 23/02/2017, onde foi anunciada a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades nos repasses de verbas para os abrigos destinados às crianças e aos idosos. Essa e outras conquistas, como a vitória sobre a crise de 2008, nos animam a lutar pela manutenção e melhoria de atendimento do Abrigo Cristo Redentor. Quem não respeita o idoso, não respeita a história, a sabedoria, as tradições e o seu futuro.

Dignidade não se negocia!

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