domingo, novembro 19, 2017
Home > Educação > NÓS QUEREMOS MUDANÇA! – PALOMA GOMES

NÓS QUEREMOS MUDANÇA! – PALOMA GOMES

 

Paloma Gomes 

Moradora de Manguinhos, professora infantil e militante da cidadania e igualdade por direitos. Paloma entra para o time de colunistas do Fala Manguinhos com o propósito de contribuir no campo de falas e sentimentos populares da educação, cidadania, cultura entre outros. quem venha o próximo texto.

 

A educação para bairros constituídos por favelas (como Manguinhos) tem fragilidades em sua prática. Sustentar a demanda da população, moradora de favela, é muito difícil e a chamada “Educação Para Todos”, que consta na Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB 9394/96), não tem efetividade nesses territórios.

As crianças, jovens e adultos da periferia contam com um ensino, na maioria das vezes, norteado por interesses de outras esferas como, por exemplo, os empresários e políticos que insistem em pautar a educação apenas como um preparo para o mercado de trabalho. Fazendo com que os sujeitos de baixa renda, acreditem nesse sistema capitalista que visa lucro em troca de saberes e não como uma construção de consciência de vida onde há necessidade de uma formação plena dos cidadãos envolvidos, para serem atuantes em qualquer campo: trabalho, político, social, e assim por diante. Deste jeito, educar vira um grande negócio, a educação que é oferecida atende aos interesses que são determinados por quem a controla.

Por isso, algumas ausências na formação da população favelada como um todo será um fato recorrente no dia a dia desses sujeitos. O que justifica ainda ter espaços como a Biblioteca Parque de Manguinhos, fechados e abandonados de um momento para o outro, sem uma explicação sequer para a população sobre como esse aparelho público chegou a essa precariedade? Até por que, esse não é um interesse do governo, de dialogar com o povo. Governo esse, que deveria prestar tais serviços e não faz.

Com esta situação colocada, surge a necessidade de junção de atores locais para reivindicar direitos negados ao território, mobilizando uma unidade de interesses, de lutas por condições dignas de acesso à cultura, educação, saúde, o direito à vida, dentre tantas outras questões que são complementares, e sistematicamente negadas à população periférica.

Assim, algumas ações já foram pensadas e executadas, fruto dessa união orgânica de pessoas na luta por reivindicar mudanças estruturantes para a favela de Manguinhos, chamando a responsabilidade dos “representantes” (porque é isso que deveriam ser) governamentais para atentarem para a garantia de direitos já alcançados pelo território. E os resultados foram bem positivos, mas a luta segue para mais resultados eficazes, por uma educação de qualidade e libertadora, por valorização da produção e manutenção da cultura local, entre outros.

Ainda assim, é válido destacar uma prioridade para a vida do morador, que é a exigência de respeito para com eles, respeito a vida de cada um que sobrevive em meio a tanto descaso social. Há uma avaliação bem precisa para este momento, que perpassa os sujeitos da favela que são constantemente atacados por esse sistema existente, é preciso que cada indivíduo se conscientize do seu papel nesse processo que acontece dentro da favela, se enxergar como parte dessa luta, com protagonista dessas ações e dessas reivindicações, pois, não basta somente identificarmos o problema, é necessário se envolver, procurar conhecer e entender seus porquês, tornar-se um sujeito atuante para modificar sua vida e seu entorno.

Resistir a esses ataques aos direitos nos mantém vivos, nos retira do quadro vegetativo de acomodação, sabendo que esse sistema sempre tenta investir nesse processo de tomada de consciência para nos imobilizar, onde ter uma sensibilidade sagaz torna-se indispensável para cada cidadão. Não é de interesse deles ter um cidadão conscientizado e apropriado de conhecimentos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *