sábado, novembro 18, 2017
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PRIMEIRO QUERO O DIREITO DE VIVER | Edilano Cavalcante

Edilano Cavalcante

O Brasil tem passado por muitas controversas políticas nesses últimos anos, são tantas mentiras e roubos, que a população está realmente com medo de perder seus poucos direitos trabalhistas, estudantis, de saúde, segurança e toda a cartela de direitos que a constituição brasileira diz assegurar.

Quando essa preocupação é algo que afeta a todos, os movimentos nas ruas começam a acontecer, estremecendo o país em centenas de protestos e atividades pela democracia. Mas aqui na “margem” da cidade, durante 200 anos, nós moradores de favela continuamos a lutar pelo direito básico: a VIDA.

Gostaríamos muito de ir pra rua lutar por uma educação de qualidade, pois, as escolas públicas estão em estado de calamidade, principalmente sua estrutura pedagógica, mas não temos tempo de fazer isso, precisamos assegurar que nossos filhos consigam um emprego aos 15 anos e cheguem vivos em casa as 18h, pois, as balas perdidas tem um costume maldito de encontrar jovens negros e pobres em seu caminho.

Protestar pela saúde? Seria a primeira coisa que eu faria assim que conseguisse garantir meu direito à vida, essas armas matam não só os corpos mas também as almas dos que ficam, o psicológico de um favelado é tão abalado que os anos passam 2 vezes mais rápido.

Um dia me imaginei lutando por cultura e cidadania, pois, sempre soube que uma criança que tem seu mundo preenchido por atividades culturais tem muito mais chances de construir uma vida feliz e saudável, mas logo sou interrompido por rajadas intensas de tiros e meus sonhos são novamente colocados no saco preto.

Tenho lutado mesmo é pelo direito a vida, pois todos os dias acordo com uma guerra na minha porta e logo depois recebo o aviso de mais uma vida destruída por tiros. Todos os dias penso maneiras deferentes de unir forças com meus vizinhos, descer pra pista e exigir o fim desse massacre brutal, mas meus vizinhos tem medo da “bala perdida” e evitam ao máximo colocar seus rostos nas ruas. O pior é saber que o Estado não se preocupa com isso, e vai continuar usando o argumento da guerra as drogas para nos matar, um por um até não restar mais ninguém.

Enquanto eu viver, lutarei pelo que ainda não foi nos dado, o DIREITO A VIDA, pois, sou tão digno de vida quanto qualquer um nesse país e embora nossas forças pareçam poucas comparadas ao poder do Estado, não podemos desistir, não temos outra saída, ou morreremos lutando pela vida, ou morreremos sem nunca saber o que é viver.

Edilano Cavalcante

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