quarta-feira, dezembro 13, 2017
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PAZ SEM VOZ NÃO É PAZ: É MEDO – Por Edilano Cavalcante

 

Hoje a favela amanheceu em silêncio. Os barulhos de buzinas, risadas e crianças brincando foram calados pelo som do medo. Tudo parece normal, dentro de uma bolha, os batimentos cardíacos acusam onde se esconde o grito de terror.

É muito interessante ouvir os burburinhos quando passamos nas ruas vazias, alguns escondidos dizem “Graças a Deus os tiros pararam” ou “Tomara que continue assim”. Assim como? Todos com medo de morrer mas pelo menos não vai ser pelo BOPE?

Até quando seremos sufocados como traidores da pátria, sendo que somos nós, os trabalhadores que carregamos esse Brasil nas costas? Até onde vai o ódio ao seu semelhante pelo simples fato dele não ter a conta bancária cheia de papéis pintados ou uma pele mais clara?

Não se engane fácil, meu povo, esse ódio não vai parar. Os sentimentos de fraternidade e solidariedade não vão vir do topo da pirâmide para a base, é uma luta antiga, com muitos mortos e algumas conquistas. Cabe a nós continuarmos lutando por espaço para a nossa voz e direitos nessa sociedade racista e patriarcal, regida e engordada pelo capital financeiro.

Em meio a tantas coisas que vem acontecendo, chega a ser difícil perceber onde as raízes dos problemas estão fortalecidas, mas tão importante como comer, beber, respirar, fazer sexo, está o ato de nos questionarmos, sermos curiosos com nós mesmo, entendermos quem somos e por qual motivos fazemos o que fazemos. Questionar nos liberta de várias amarras e a primeira delas é o medo.

Não respire pelo simples fato de respirar, aproveite a sensação do vento entrando pelo nariz e se distribuindo pelo pulmão, faça esse mesmo exercício com seus medos, coloque eles na frente do espelho e questione porque eles ainda existem dentro de você. E o mais importante: descubra como fazê-lo sair.

A violência aprisiona nossas almas dentro das grades do medo e dentro delas somos impedidos de perceber onde encontrar a chave da liberdade. Não adianta você querer ter dinheiro e conseguir comprar uma prisão maior e mais confortável, só abriremos as portas quando enxergarmos o problema como um todo, entendendo que fazemos parte de uma rua, de um bairro, de uma cidade, de um país. Se uma parte deste conjunto estiver sentindo MEDO, de alguma forma você também sentirá.

 

Edilano Cavalcante – coordenador e jornalista do FALA MANGUINHOS! 

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