sábado, novembro 18, 2017
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Mulher negra é afronta! – Danielle Policarpo

Escrito por Danielle Policarpo,

psicóloga e Moradora do Jacarezinho. 

“sou mulher e sou negra”

Se o corpo negro ainda é entendido como aquele que “aguenta”, suporta a dupla jornada de trabalho. Essa perspectiva aumenta sobre a mulher negra, que tem a obrigação de atender as tarefas do lar, segundo a cultura do machismo. Atualmente ainda temos pesos colocados sobre nossas cabeças, como as mulheres escravizadas eram obrigadas a fazer. O corpo da mulher negra sempre aguenta mais um pouco, aguenta o trabalho pesado que a “donzela mulher branca” não aguenta, afirmavam os senhores.
Viver neste corpo de mulher e negra, transita por dois paradigmas: o machismo e o racismo. Se posicionar como resistente a esses paradigmas é esquivar duplamente desse lugar de cuidadora—aquela que é responsável pelo cuidado da família, do(s) filho(s), da casa, da manutenção do lar, etc—, como mulher e como negra.
Esse corpo percebido como imortal, bate um coração. Mulher negra tem seus sofrimentos, seus medos, seus anseios, sua beleza, seus desejos, assim como todas as mulheres.
Vamos cuidar das nossas mulheres negras que tem adoecido ao viverem sob essa ditadura, em que o fato de existir neste corpo é se pôr ao embate de todas as questões que lhes são oriundas.
Daí a importância de fazer esse recorte diferenciado de gênero e raça, é uma luta com objetivos comuns dentro do feminismo porém com existências históricas diferentes.

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