domingo, agosto 19, 2018
Home > Cidadania > Seria a paz sucessível à guerra? [OPINIÃO]

Seria a paz sucessível à guerra? [OPINIÃO]

Imagem: Fala Manguinhos

Decretada pelo presidente Michel Temer após o pedido do Governador do Rio de Janeiro Luís Fernando Pezão, que declarou um “caos” na segurança pública do Rio, após a onda de arrastões na zona sul no período de carnaval, esse assunto vem sendo noticiado não só no país como no mundo.

Isso remete a diversas reflexões. Em primeiro lugar, o Rio de Janeiro não é o lugar mais violento do país, mas é um dos principais pontos turísticos,  se o exército intervém na segurança, não é pra garantir o nosso direito de andar livremente e seguros, mas para que o turista possa desfrutar da sua estadia e acreditar que os problemas sociais aqui inexistem. Em segundo lugar, o Presidente declarou que utilizará recursos federais se for necessário para que o responsável pela operação Walter Souza Braga Netto utilize em prol da intervenção. Por outro lado, Escolas e hospitais seguem em estado crítico devido a falta de recursos, o que reflete que o interesse do Presidente possa ser partidário, já que nos encontramos em ano eleitoral e a aprovação de Temer é muito baixa, quase inexiste.

Mas, a questão que fica é: Quem mais sofre com a intervenção militar? Não é preciso ser um gênio pra saber. Na sexta-feira (23/02/2018) militares ocuparam três comunidades da zona-oeste e um pedreiro teve o dia de trabalho perdido após estar a caminho do serviço e ter sido abordado por militares que o fizeram voltar em casa pra buscar seus documentos porque o mesmo só carregava consigo sua marmita e após o atraso, o patrão o mandou de volta para casa. O intuito da operação é tentar prender suspeitos de terem matado na terça (20/02) o sargento do Exército Bruno Albuquerque Cazuca durante um arrastão em campo grande. Foi falado também que um dos objetivos era combater a corrupção dentro da polícia militar, mas, se tornou comum as reportagens de sargentos e outros militares do exército irem presos por porte ilegal de armas. Então, se o objetivo fosse realmente combater o crime, deveria-se começar dentro do próprio exército. Se a estratégia for combater o crime, deveria começar pelos políticos que contribuem para o tráfico e são chamados de deputados e senadores. Será que uma criança deveria ter a mochila revistada quando está a caminho da escola? Estaríamos caminhando para o retrocesso? Não podemos esquecer que o exército passou 14 meses no complexo da maré pra instalação do projeto que o ex-governador Sérgio Cabral trouxe da Colômbia e batizou de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), mas o nome não fez jus a paz. Seria a paz sucessível à guerra?

 

Arquivo de Opinião do Colunista Tarcísio Lima.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *