sábado, Maio 26, 2018
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Racismo Histórico – Tarcísio Lima [Opinião]

Semana passada aconteceu um caso de racismo com um estudante de Administração da FGV, João Gilberto Pereira Lima, onde ele foi fotografado por outro aluno que compartilhou a imagem em um grupo de Whattsapp com a frase “Achei esse escravo no fumódromo, quem for o dono avisa”. Na sexta-feira João prestou depoimento e o aluno foi suspenso por três meses. Veja bem, foi uma pena bem leve, comparado a atitude racista do rapaz. Mas se o caso tivesse a mesma repercussão como foi o de William Waack, que nos bastidores do Jornal da Globo usou um comentário em sua conversa “Isso é coisa de preto”, teria uma punição mais rigorosa? Num país como o nosso, que vive um racismo implícito e até sutil, com exceção da polícia que segue um esteriótipo racista, hoje ainda é comum ver o ódio ao negro disseminado e com a liberdade que a rede social oferece, vemos o ódio declarado em comentários de páginas de mídias e afins. Há quem diga que o racismo não existe, haja vista que o conceito de raça como divisor de classes nasceu na França pra teoria de supremacia branca que serviu pra explorar e escravizar outras raças. O Brasil é o país que mais mata negros, o número de negros no sistema prisional é maior que a média da população de negros do país. Nas universidades os negros representam um número inferior. Um negro e um branco num mesmo cargo tem salários diferentes em diversas empresas. Os negros são mais presentes em cargos subalternos como no passado, a diferença é que hoje o sistema teve algumas alternâncias, porém o mecanismo opressor continua sendo aquele que foi, quem não aceita ser explorado, acaba cometendo crime e no presídio vai ser uma mão-de-obra que é explorado pra ter redução na pena. Então, o racismo seria de fato vitimismo? 

Entretanto o que mais é frustante de ver, são negros oprimindo outros, porque há aqueles que amam o opressor e banalizam o oprimido, não reconhecendo no outro a mesma classe racial ou étnica. A polícia militar do Brasil, uma das que mais matam no mundo, é uma das que mais morrem também e o corpo policial em grande parte é composto de negros, representando aquilo que um dia foi o capitão do mato, que afugentava o escravo que se rebelava e o castigava com tronco e pau de arara. 

O racismo é um tema que precisa ser debatido e combatido, porque “negros e pobres nos holofotes do cinema ainda não, nos livraram dos holofotes da polícia”. A representatividade de negros nas universidades e fora dos cargos subalternos é fundamental para que se possa diminuir a distância do abismo social que vivemos.

Escrito por Tarcísio Lima, escritor e jornalista do Fala Manguinhos. Todos os direitos reservados.

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