domingo, junho 24, 2018
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Racionais na Construção do Império – Por Tarcísio Lima

 A periferia ocupando a Academia

“Lembra dos Racionais, quando for se achar o fodão que sem net e sem TV, eles venderam mais de um milhão”. A referência do Rapper Nocivo Shomon na música “Descarrego”, faz alusão ao CD “Sobrevivendo no inferno”, 1997, do grupo formado desde o início por Mano Brown, Edi Rock, KL Jay e Ice Blue. O disco foi escolhido semana passada pra ser leitura obrigatória pro vestibular da Unicamp – SP de 2020, na categoria poesia, além de “Sonetos”, de Luís de Camões e “A teus pés”, de Ana Cristina César. 

O maior grupo do cenário do Rap Nacional na história está na ativa desde 1988 e trouxe uma revolução social pra periferia. A inspiração para o nome do grupo veio do disco ‘Racional’, de Tim Maia. Uma das 12 músicas do CD “Diário de um detento”, foi composta em parceira com o ex-presidiário Jocenir, retratando a tensão que precedia a chacina de 1992, quando mais de cem presos foram assassinados pela tropa de choque no Carandiru. 

“Sou apenas um rapaz latino-americano apoiado por mais de 50 mil manos”, Brown talvez não imaginasse que a dimensão de apoio passaria de sete milhões no Facebook. A música “A vida é um desafio” é uma das mais ouvidas do Rap Nacional, com mais de 110 milhões de views, inclusive o jovem Gabriel Jesus, jogador Manchester City e ex-Palmeiras se inspirou na música quando fez uma de suas tatuagens. 

Atualmente o grupo deu uma pausa e Mano Brown tem feito apresentações do CD solo Boogie Naipe, lançado em 2016, indicado ao Grammy Latino como Melhor álbum de pop contemporâneo. O Dj KL Jay disse em um comentário no Facebook que o disco “Sobrevivendo no inverno” é um bom livro de história e no Instagran em uma foto publicada o grupo comemorou a conquista “É a periferia ocupando a Academia”. No Enem de 2017 um trecho da música “Fim de semana no parque” já havia sido citada em uma questão, podendo perceber que a Academia reconhece a importância do grupo na categoria de poesia. 

Músicas que abordam discriminação policial, racismo, política além de outros problemas sociais, nota-se que algumas letras parecem que foram escritas recentemente porque os problemas continuam. O grupo continua inspirando pessoas, que “juntam os pedaços e vão pra arena” como disse Brown no interlúdio do CD “Nada como um dia após o outro. É a voz da periferia sendo ouvida e amplificada. 

Meteria escrita por Tarcísio Lima, morador de Manguinhos, escritor, poeta e estudante de Jornalismo da UniCarioca.

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