sexta-feira, outubro 19, 2018
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Até quando? -Um poema escrito com lágrimas [Paloma Gomes]

 

Até quando?

 


Não tem fim…
Terror, medo, dor, perdas, desespero…
Sentimentos que a favela sente desde sempre.
Tiroteios intensos, ações equivocadas, intenções óbvias, homens de fardas, encapuzados, a mando do Estado.
Gritam em seus rádios… Paramos de atirar? Respondem de lá… Não, não cessem os disparos…
Nas vias da favela um deserto, um silêncio, que se rompem aos sons de balas, perturbador som que lança vida a sorte
Será que consigo escapar? De onde vem? Será do lado de lá ou do lado de cá?
Na verdade estão por toda a parte.
Nossos direitos inexistentes, segurança para quem? Os serviços fechando, escolas, clínicas, ou quando funcionam, trabalham sob pressão do aterrorizante pavor, funcionários com medo de perder a vida.
Mas a vida é roubada lentamente, com o descaso vivido dia a dia, direitos assistidos nunca teve, respeito tão pouco.
Vida de moradores, trabalhadores, pobres, pretos, favelados desses territórios atacados não precisa ser levado em consideração não! Não? Por que não?
Não existe razão de manter o humano com dignidade quando se pode ter o dinheiro da desonestidade…
Assim pensam os poderosos homens brancos e velhos da casa grande.
Estado? Governo? O único estado que encontramos é o caos governado pelos interesses dos poderosos, mantendo um sistema de exploração e de genocídio dos pobres, pretos e favelados.
Nos fazem de marionetes, dizem se importar para nos enganar e apunhalar, mas a faca que chega corta na alma, porque o que leva o corpo tombar e o gatilho que projeta a bala no ar até o alvo acertar.
Aí sim fim, porque só se tem fim para a vida de quem nunca pode sonhar em somente ser feliz andando tranquilamente na favela onde nasceu, também de se orgulhar em ter a consciência que o pobre deveria ter seu lugar.
Essa é a tragédia da realidade tingida de sangue de quem morre, mata e perde
Na favela é assim, só se perde nunca se ganha, game over, aí sim fim de jogo.

 

Poema escrito pela professora e moradora de Manguinhos, Paloma Gomes. Baseado na realidade violenta das operações policiais dentro das favelas.

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